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Prevenção e Tratamento de Lesões no Remo

O remo é conhecido por ser um esporte que pode ser praticado durante toda a vida. Porém, como em qualquer outra atividade, o remo exige cuidados para ser praticado com segurança. A maioria das lesões sofridas pelos remadores estão relacionadas ao excesso de treino, de força ou má postura no barco, remoergômetro e durante a musculação. Os principais locais de lesão são: pulsos, antebraços, ombros, joelhos e costas.

A ortopedista americana Jo Hannafin, médica da seleção americana de remo e membro do comitê médico da FISA, realizou em 2007 uma pesquisa com 398 remadores júnior durante o campeonato mundial da categoria. Ela descobriu que 73% dos atletas sofreram lesões relacionadas ao excesso de treino ou força no remo. Desse total, 28% relataram trauma ou dor intensa, sendo 41% das lesões na lombar na água ou no remoergômetro.

O Diretor Médico da CBR, Roger de Otero, preparou um pequeno guia com as principais lesões relacionadas a prática de remo. O objetivo deste texto é auxiliar os remadores a identificar lesões e buscar tratamento antes que elas se tornem um problema mais grave. Sempre que você notar algum sintoma, informe seu treinador e busque auxílio médico.

Lesões Comuns no Remo, Informativo Médico da Confederação Brasileira de Remo
Pulso – Tendinite
A tendinite é uma forte dor causada pelo movimento repetitivo do pulso durante a remada. Outros fatores que causam a tendinite são o excesso de força na pegada e o punho do remo muito grande para o atleta. O tratamento é feito com mudanças na técnica do remador: punho menor, dedão sobre o topo do punho e troca de posição no barco. Além disso, recomenda-se descanso, gelo, fisioterapia e anti-inflamatórios com orientação médica.

Antebraço – Síndrome Compartimental
Outro problema que pode ser causado pelo excesso de força na pegada é a síndrome compartimental, que causa dor e inchaço no antebraço do remador devido ao aumento da pressão no compartimento muscular. A pegada para segurar o punho do remo deve ser firme e confortável, sem excesso de força ou tensão. Para aliviar a dor, o remador precisa aprimorar sua técnica e diminuir a tensão no antebraço com uma pegada mais leve. Se não for feita a correção na técnica, a síndrome pode necessitar de uma cirurgia.

Cotovelo – Epicondilite
A epicondilite (conhecida como cotovelo de tenista) é uma degeneração dos tendões que se originam no cotovelo, atingindo principalmente os músculos extensores do punho e dos dedos. A dor surge durante a movimentação das pás, principalmente na posição de Ataque. A prevenção é feita com exercícios de fortalecimento e alongamento dos músculos do braço. Para amenizar a dor, os remadores podem colocar gelo no local após o treinamento, evitar a fadiga muscular e utilizar um suporte para cotovelo de tenista.

Mãos – Higiene Local
As mãos também merecem cuidados durante a prática do remo, já que podem ficar com calos e bolhas doloridas. É sempre recomendado que os atletas realizem a higiene das mãos antes de remar. Além disso, os punhos dos remos que são compartilhados devem estar limpos e esterilizados para evitar a transmissão de infecções, bactérias e doenças sanguíneas (a contaminação ocorre através de pequenos machucados com sangramento).

Ombro – Síndrome do Impacto
A Síndrome do Impacto ocorre principalmente quando há excesso de carga e movimentos errados durante o treinamento com pesos, gerando trauma e dor aguda. A síndrome também pode surgir quando o atleta faz o movimento de Ataque de forma exagerada, movimentando o ombro além do necessário. O tratamento é feito com acompanhamento médico através de fisioterapia, repouso e anti-inflamatórios. A prevenção é realizada com exercícios de fortalecimento dos ombros e do tronco. O atleta deve ficar atento a sua técnica para evitar movimentos excessivos e manter uma boa postura durante toda a remada.

Peito – Fraturas nas Costelas
Durante períodos de treinamento intenso podem ocorrer fraturas nas costelas dos remadores. Por acontecer principalmente no clima frio, a dor no peito pode ser confundida com uma tosse forte e atrasar o diagnóstico correto. Os sintomas são: desconforto na caixa torácica, dor aguda durante a respiração profunda, dor quando há mudança de posição do corpo e desconforto em pontos específicos do peito (em uma determinada costela).

O tratamento exige que o atleta modifique suas atividades, ou seja, será necessário parar de remar até que a dor cesse. Caso sinta algum sintoma, procure rapidamente um médico para evitar o diagnóstico tardio, que resultará em um tratamento mais longo. O retorno ao remo será feito de maneira progressiva, com os primeiros treinos no remoergômetro, utilizando pouca força e alternando com outras atividades aeróbicas (bicicleta, corrida, elíptico).

Joelho – Dores no Joelho
Dores no joelho durante a prática do remo são comuns e podem surgir a partir de diversos fatores. Primeiramente, deve-se avaliar a técnica e a postura do atleta para evitar movimentos inadequados dos joelhos. O uso excessivo de força irá comprometer a musculatura da coxa e do quadril, sobrecarregando os joelhos.

A falta de flexibilidade nos membros inferiores também pode prejudicar os joelhos. Exercícios e alongamentos focados nos joelhos e quadril são importantes para prevenir este tipo de lesão. Os treinadores devem ficar atentos a posição dos pés dos remadores, que pode interferir na técnica correta de remada. Outro fator de risco são problemas anatômicos do atleta, que precisam ser avaliados e tratados por um ortopedista.

Costas – Dor Lombrar
Remadores estão suscetíveis a diversos problemas na coluna, que podem ser uma simples distensão muscular de fácil tratamento ou até uma fratura grave, que requer cirurgia e afastamento do esporte. Sempre que houver dor na região lombar, o atleta deve procurar um médico para efetuar o diagnóstico correto e evitar problemas mais sérios.

Os fatores que comprometem a região lombar estão ligados principalmente a técnica e a postura. Os atletas precisam aprender a manter seu tronco estável tanto durante a remada quanto nos exercícios com pesos. O tempo de treino precisa ser controlado para evitar excesso de carga na região lombar. Exercícios de estabilidade, aquecimento e alongamento são essenciais para os remadores, assim como o uso de equipamentos adequados.

Dicas para Treinadores
1. Monitore e mantenha um registro das lesões sofridas pelos atletas.
2. Avalie as principais lesões e quando elas ocorrem, de modo que você possa ajustar o cronograma de treinamento se necessário.
3. Atletas mais jovens costumam sofrer mais lesões durando o período de crescimento.
4. Ensine os atletas a diferenciar dores comuns associadas ao treino das dores relacionadas com lesões (sintomas).

Fonte das Informações: US Rowing, “ Common Rowing Injuries”, Dra. Jo Hannafin

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